9 de maio de 2017

Entrevista do mês! Com o designer de bolsas Gilson Martins.

Olá, pessoas! Tudo bom com vocês?
Hoje é dia de entrevista, e dessa vez o MPM foi longe. Meninos, hoje o peixe é grande, entrevistei um verdadeiro ícone da moda brasileira, um grande designer com carreira internacional, ele é tão talentoso que até o ex-presidente dos EUA, Barack Obama já mandou uma carta elogiando seu trabalho e agradecendo por ter ganhado uma de suas obras (o cara é o poder!), esse famigerado que estou falando é o Gilson Martins, um cara excepcional, que me recebeu em sua loja em Ipanema, aqui no Rio, onde eu tive o prazer de conhecer a " Fábrica do Gilsinho ", um espaço extra onde você libera a imaginação e cria sua própria bolsa, tendo o direito de escolher tudo, desde da cor, aos acessórios.

(o sorriso no rosto de quem queria levar todas as bolsas, malas e mochilas da loja).

Agora vamos a nossa conversa:

MPM: Gilson, para começar a entrevista, me diga como tudo começou? Como você começou a desejar ser o que é hoje?
GM: "Gilsinho nunca quis ser alguma coisa, na verdade esse garotinho aqui começou muito comerciante, muito líder do grupo dos primos, do irmão, e tudo mais, liderando, fazendo sempre muita coisa, muito ligado com as questões de arte, artesanato, filho de costureira e pai estofador, então assim, vivendo e convivendo o tempo inteiro com experimentos, trabalhando com material têxtil, trabalhando com material de confecção, com vestuário e decoração, tudo na minha casa era feito pelos nossos pais, da decoração dos moveis, cortinas, das roupas que nós usávamos, eles tinham um pequeno ateliê, tudo era feito e nós brincávamos com tudo, com todos os materiais, eles continuam fazendo muita coisa para si, e isso nasceu com a gente. Obviamente eu fui fazer escola de belas artes, meu destino foi traçado ainda na maternidade, graças a Deus rsrs! Nunca tive nenhum acidente de percurso, você sabe, o que eu irei fazer agora? Eu vou pra onde? Não tive isso, fui abençoado de poder ter minha direção sempre muito certa, era arte que eu iria fazer, e fui para escola de belas artes fazer cenografia, e lembro que eu tinha uma mochila que rasgava todo tempo, peguei um material que meu pai me deu, que na época ele estava fazendo espreguiçadeiras de uma casa, e tinha a novidade de uma lona plastificada, super boa, resistente para o sol, chuva e me deu a sobra do material e disse: ' Toma aqui e tenta fazer tua mochila ', desmanchei a que eu tinha e fiz uma toda melhorada, quando eu cheguei na faculdade, entrei no elevador uma amiga falou ' NOSSA QUE MOCHILA É ESSA! EU QUERO UMA!' 

( essa não é a mochila que ele falou na resposta kkk, mas é uma de suas criações).


MPM: Li que até os seus professores se encantaram por essa mochila, é verdade?
GM: " Sim, imagina só, você dentro de uma escola de criação, quando um professor identifica talento no aluno, eles vão em cima,  me ajudaram muito, eram meus orientadores pras bolsas, uma das professoras mais especiais na minha vida foi a Rosa Magalhães, que foi minha professora durante anos, ela com a Lícia Lacerda que era outra professora, e as duas eram sócias numa confecção de roupa, consideradas as mulheres fashion da faculdade, elas me orientaram demais, falando para eu fazer pastas, portfólio e eu tinha uma lista enorme da universidade, eu tinha estojo só para colocar lápis crayon, pincel, para aquarela, e elas foram para mim grandes professoras e abriram meu campo, viram o Gilson das bolsas."

MPM: Quando você acabou a faculdade foi fazer o que? Já foi trabalhar?
GM: " Imagina, na própria faculdade, no meu segundo período eu já estava fazendo bolsas pras lojas, porque meus amigos todos muito conectados me falavam ' Olha tem a marca tal, que eu tenho contato com o comprador ' a todo momento teu sonho é se profissionalizar, então tipo, vender pra loja em Ipanema, um máximo mesmo, e nessa época eu ainda morava em Santo Cristo e a primeira loja que eu vendi foi uma loja aqui em Ipanema que tinha outra na Tijuca, o cara comprou muitas mochilas, fiquei muito feliz, fui até a Penha com todas as mochilas e o dono da loja me deu um cheque pré-datado para 30 dias, e 30 dias depois o cheque voltou, mas não desestimulei, eu era muito jovem e só queria fazer, nunca pensei em parar."

MPM: Em 1993 foi sua primeira exposição no centro cultural  da caixa econômica federal , como aconteceu?
GM: " Na verdade, essa exposição minha que se chamava ' Alienígenas ' que era peças artes, que ao mesmo tempo que eram porta objetos elas também tinham total intenção de ser obras contemplativas, não seria algo totalmente funcional ou usual, e foi em uma viagem de férias que eu estava fazendo e uma mulher chamada Sheila Leirner, uma grande curadora de arte se sentou do meu lado e pegou meu portfólio e disse ' Seu trabalho é muito mais do que moda, ele é arte ' , ela me incentivou, voltei ao Brasil com vontade de fazer bolsas arte, mas infelizmente não consegui mais encontrar ela, e a Rosa Magalhães me indicou que o banco caixa econômica tava começando a patrocinar artistas para exposições, e foi ai que minha primeira exposição foi na Gávea no centro cultural caixa econômica de lá."



MPM: E como aconteceu a sua exposição na cidade de Paris em 1998?
GM: " Foi no museu do Louvre , em um evento 'é tempo de Brasil', junto com a copa do mundo, e o governo federal queria mostrar que o  Brasil não era só o país do futebol, que a gente tinha arte, design, indústria automobilística e que nós tínhamos uma historia muito forte, e eu integrava a parte do Rio de Janeiro, por que nesse momento eu tinha criado as bolsas do Brasil entre 1994 e 1995, então minhas bolsas estavam bombando lá, foi um sucesso em Paris. 

MPM: Eu vi que várias personalidades mundiais já usaram suas bolsas, como Madonna, Michelle Obama e o próprio Barack Obama, como você reagiu ao ver essas pessoas usando suas obras?
GM: " Vai chegando pra você, Madonna por exemplo ela veio aqui fazer um pedido para ONG dela durante um jantar beneficente, e pediram um presente Gilson Martins para presentear a Madonna, e eu dei, já com a Michelle Obama, o consulado me pediu e eu presentei ela, o Obama e as filhas deles, depois de 3 meses chegou a surpresa, uma carta da Casa Branca, agradecendo, foi muita emoção,"
MPM: E eu vi que você tem móveis assinados, peças de decoração que foram apresentados na semana de design em Milão, não é?
GM: " Sim, e a ONU comprou também, estão expostos no aeroporto do Galeão."
MPM: E agora falando das suas coleções, o que te motiva a criar peças tão incríveis, qual o ponto de ignição?
GM: " Nossa que pergunta difícil rsrs, o que me motiva é acordar e trabalhar, e o ponto de ignição é a sua essência, é respirar e usar a sua percepção das coisas que estão acontecendo e vai vindo, não é explicável, não tem uma receita, eu acho que um artista não consegue explicar de onde vem a inspiração, não tem uma receita, por exemplo,eu entendi que esse trabalho todo de Rio de Janeiro que eu faço vem todo do lugar que eu nasci, fui criado no alto do Santo Cristo, e cresci brincando com o Pão de Açúcar, Cristo Redentor, Arcos da Lapa, ponte Rio-Niterói, Maracanã e tudo mais, eu estava quase em um teatro de arena, tudo isso que está aqui no trabalho faz parte da minha vida, de quem eu sou." 




MPM:  Então a fábrica do Gilsinho, veio com essa intenção de brincar com a imaginação das pessoas?
GM: " Exatamente, a Fábrica do Gilsinho é poder oferecer, é um lado da maturidade do meu trabalho de ainda ser mais generoso com as pessoas, vem criar, já tô criando muito rsrs, e a ideia é ser criativo usando o Rio de Janeiro como o próprio tema, você vai criar o seu Rio de Janeiro, e a mensagem da Fábrica do Gilsinho é essa, de uma criança generosa, vamos compartilhar o brinquedo" 


MPM: Eu sempre faço essa pergunta para os meus entrevistados, você gosta de fazer compras? Tem coleção de alguma coisa?
GM: " Amo, nossa meu Deus, é meu fraco, e tenho coleção de óculos, relógio e sapato, tenho mais de 100, e olha que eu faço bazar a cada 6 meses, porque eu sou o cara da reciclagem, mas se eu gostar de um modelo de relógio por exemplo eu compro de todas as cores , mas também não gosto de coisas valiosíssimas, eu gosto de coisas pop, que tem design e isso para mim facilita muito, porque eu não gosto de ter várias para combinar."
MPM: E para finalizar, quais os próximos lançamentos?
GM: " Eu não trabalho muito com coleções, trabalho com técnicas, agora eu descobri uma nova técnica de mais reaproveitamento do lixo da fábrica, e vai se chamar de matrizes que são peças com uma descoberta de vários tipos de materiais, resíduos de sobras de materiais que cria uma nova superfície de estética muito bonita e cada peça que vai entrar numa bolsa é uma matriz para gerar outros trabalhos, como telas, quadros, estamparias para decoração e tudo mais."

Antes de finalizar, queria contar a vocês que eu tive a chance de "brincar" na fábrica do Gilsinho e afirmo que é uma experiência incrível, olhem as imagens da minha criação:


(esse foi o resultado final, depois ela é enviada para fábrica pra ser costurada).

Bom pessoal, eu amei a conversa que eu tive com o Gilson, um homem muito talentoso que sempre batalhou muito para chegar onde está, se vocês estiverem aqui pelo Rio, super indico a loja dele, as peças dele são a cara do Rio, e como ele disse você ainda tem a chance de levar com você o seu Rio de Janeiro! 

(imagens da frente da loja)


ATLANTICA - Av. Atlântica, 1998 | 21 2235-5701 Seg-Sáb 9h - 21h | Dom 10h - 16h atlantica@gilsonmartins.com.br

COPACABANA - Figueiredo Magalhães, 304 | 21 3816-0552 Seg-Sex 9h - 20h | Sáb 9h - 18h copacabana@gilsonmartins.com.br

IPANEMA - Visconde de Pirajá, 462 | 21 2227-6178 Seg-Sex 9h 30 - 20h | Sáb 9h - 18h ipanema@gilsonmartins.com.br

bye bye, até a próxima.

Leonardo Dêmeris
insta:@leonardodemeris

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